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sexta-feira, 31 de maio de 2013

O Reino da Morte

Era uma vez um reino.
O reino não era um reino comum, como os reinos do norte e do sul. Era negro e vazio. Nele vivia somente o Rei. Sozinho. Não tinha nome, apenas era chamado O Rei, O Soberano, O Grande.
O Impiedoso.
Sentava-se majestosamente em um rico trono feito de corpos e sangue.
Seus súditos eram fantasmas. Seu palácio era a Loucura.
Seu reino se chamava Morte.

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Nas Cidades da Noite (III)

Aquela manhã estava sendo uma tortura. Tortura. Raquel repetia isso a si mesma a cada dois minutos. O problema tinha começado muito, muito cedo. No metrô, extremamente lotado, um homem "alojou-se" logo atrás dela e, assim, qualquer solavanco ou movimentação de outros passageiros era motivo para... Pressioná-la

Quando saiu, antes dela, ainda disse: "Bunda perfeita, hein, cavala? Perfeita, carnuda". Falava isso salivando, como um (homem) animal. Raquel nunca se sentiu tão aviltada. O pior é que esse tipo de situação se repetia com frequência. Raquel, tinha, de verdade, uma "bunda perfeita". Seu corpo era "delicioso, carnudo". Se não tivesse algum pouco de bom senso ou convicções próprias, poderia ganhar a vida rebolando em algum (homem) programa de auditório. Porém, sabia que, provavelmente, teria que se vender muito mais que isso... Portanto, trabalhava e estudava como uma pessoa comum.

Na medida do possível.

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Labirinto Parte IV

Não esqueça de ler antes: Partes I, II e III


– Você ainda não me contou por que está aqui...
A garota insistia nisso a tempos. Ananda olhou para aquele rosto miúdo, manchado pelo barro da terra com sangue, magoado por espinhos teimosos, que passavam em sua pele deixando rastro. Sorriu. Algo nela lhe causava tranquilidade.
– Estou aqui por dois motivos... Ambos terriveis demais... – sentaram-se para descansar. Com a luz do sol por companhia não havia o que temer.
***
– Santa Mãe da Terra – disse a mulher antes de romper porta afora.
– O que? O que houve mamãe? – a jovem tentou perguntar, mas a senhora já tinha saído com o embrulho nos braços. Pensou em ir atrás, mas sentia o ardor da pele da irmã a queimar a sua. Não poderia deixa-la sozinha – Tudo ficará bem, você verá. Tenha força Maria. 

terça-feira, 28 de maio de 2013

Prisão.


Por: Franz Lima.

Meus pensamentos se perdem diante da imagem refletida. Não há mais o homem que outrora fui. O reflexo mostra apenas um pálido e frágil indivíduo. O reflexo indica uma verdade que há muito eu fingi não ver: eu estava morto.

segunda-feira, 27 de maio de 2013

À prova de bala

    
  Eu tava voltando pra casa, era uma quarta-feira à noite, você sabe, eu saio as 9 da noite as quartas, não sabe? Como sempre, eu cortei caminho pela praça, só pra passar por perto da nossa árvore... Sempre quis gravar nossos nomes naquela árvore, mas nunca fiz isso, porque, sinceramente, é bem brega.

sábado, 25 de maio de 2013

Olhar de Prata - Primeira parte


Não fora do comum, bêbados fanfarrões já se agrupavam no Saloon do Monstrengo. Era o sol que fugia no horizonte e dava lugar a mais uma perigosa noite, e como já de costume, aqueles que têm motivos pra não dormir em casa, ou que não são mais aceitos ali por suas esposas (os que ainda têm) reuniam-se ali, para beber, jogar e ter as mulheres da casa, poucos com intenções de pagar.

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Monstro (Parte II)

Leia a primeira parte do conto nesse link




O farol abriu, a jovem deu a partida e a conexão foi perdida. Ele jamais veria de novo aquela mulher. Jamais saberia quem ela é, se realmente ela existia ou era apenas um fantasma, uma alucinação maluca da sua cabeça, ou ainda porque tinha lhe dito apenas aquela única palavra, que lhe perseguiria até o fim dos seus dias. Nem ao menos saberia o seu nome, o nome da mulher que o amaldiçoou para sempre. 
Então, agora estava ali. Era noite novamente, só que já tinham se passado cinco meses desde aquela noite. 13 de agosto. Sexta-feira. Coincidência? Talvez a ironia de costume. Tinha a leve sensação de que as noites das quais não se lembrava eram todas de dias treze, como aquele. Talvez até mesmo aquela noite. Novamente estava dirigindo e começava a sentir a antecipação que sentia todas as vezes que a memória lhe escaparia mais tarde. Era quase como se tivesse aquele passageiro dentro de si e, em apenas em uma única noite de cada mês, ele despertasse da escuridão. Pela primeira vez na vida sentia medo. Mas também sentia uma ansiedade, uma vibração, o antegozo do que estava por vir. Seja lá o que fosse, ele não se lembraria. Mas lhe daria aquele prazer saboroso no último segundo, que ele talvez apagasse da memória porque era doloroso demais para lembrar no dia seguinte. 

quinta-feira, 23 de maio de 2013

O Homem dos Sonhos (I) - Corra!



O centro de todas as grandes cidades é sempre apinhado de gente andando em blocos por todos os lados, todos preocupados com seus trabalhos que consideram tão importantes, seja pela soberba onde as pessoas se colocam uns acima dos outros, seja pela importância de pagar contas no final do mês que os faz aturar trabalhos degradantes e humilhantes.
Naquele momento, entretanto, tarde da noite, o centro da cidade se encontrava deserto. Não havia sequer uma viva alma para ser vista ao longo das ruas estreitas dos prédios antigos, datados da época do Império. Nem mesmo as prostitutas, mendigos e outros marginalizados pela sociedade, tão facilmente encontrados neste cenário noturno podiam ser vistos, como se fosse um momento fora da realidade, um sonho.
Mas o que Frederico vivia naquele momento estava mais para um pesadelo!

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Labirinto - Parte III



Não esqueça de ler antes Parte I e Parte II

O suspiro era a voz da dor daquele homem. Seguia o caminho para sua casa com o peso do mundo sobre seus ombros.  Ao passar pela soleira deparou-se com um par de olhos vermelhos e raivosos que o esperavam.
– A deixou lá?
– O que acha? Que a trouxe de volta na manga? – disse rispidamente, de certo sem vontade alguma de conversar.
– Não seja assim comigo que a culpa é sua! – balançou a cabeça – É uma maldição! E você é o causador disso, eu tenho certeza! – se aproximava pronta para desferir-lhe um golpe, mas o homem foi mais rápido e segurou seu braço, girando-a e jogando na cama.
– Deixe de bobagens mulher! De onde tirou isso?

terça-feira, 21 de maio de 2013

Diante de Ti.


Por: Franz Lima.

    Estamos finalmente um diante do outro. Há anos esperamos por tal  oportunidade, na qual as dúvidas seriam postas de lado e a mentira extirpada de nosso coração, onde ela já semeou a discórdia.
     Nosso amor era tão belo e sólido. Mas a beleza de uma mesa encoberta por  uma bela toalha  acaba  se  esvaecendo, quando, ao retirarmos a toalha, verificamos que os cupins já a destruíram silenciosamente.
     Eu olho para sua face. Há beleza nela. Há uma paz desconhecida para mim.
    Seus lábios sorriem, levemente rubros. Eu toco cada pequena parte sua, o que me dá muito prazer. Indiferente, você não repara em mim. Confesso, eu jamais esperei por retribuição ao amor que lhe oferto.
     Ficamos nus. Seu corpo tem o cheiro do inverno. Eu, ao contrário, exalo o perfume da fome. É chegada a hora de nos unirmos. É chegada a hora em que irei me alimentar de sua carne e seu sangue. Pois jamais haverá união igual à nossa.
    Nunca surgirá um amor como  este, onde  o sentimento  transcende a  morte  e a paixão, verdadeiramente, alimenta a alma.

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Tic tac toe



Tic tac toe.

Tic tac toe

Tic tac toe, diz a música.

Simples assim: começa com tic, depois vem tac e termina com toe.

Ordem. As coisas são como devem ser para funcionarem. Amor, lealdade, respeito... Mas nem sempre a roda gira para o lado certo. Sempre há engrenagens que dão defeitos e precisam de reparos. Algumas, não tem conserto e devem ser removidas, para que o funcionamento correto prossiga.

É tic tac toe, e não tac toe tic.

domingo, 19 de maio de 2013

O Caminho da Água


Desperto assustada com o inconveniente toque do telefone. O radio relógio me alerta de
quão tarde está e no fundo concordo com ele, mas minha consciência não me permite deixar de
atender. Tiro o fone do gancho e não ouço nada, ou quase nada, o som de água corrente é a
única voz ali. Espero mais alguns instantes e ninguém se pronuncia. Irritada pelo repentino
despertar não consigo mais pegar no sono, acendo então um cigarro e me sento à beira da janela
aberta. Sem nada especial em pensamento, apenas sinto a brisa morna me tocar o rosto enquanto
quase podia descrever o caminho daquela fumaça em direção aos pulmões, levando aos poucos
minha vida. Observo as poucas luzes acesas daquela imensa cidade que parece tão só na
madrugada. Depois de quase duas horas sem devaneios me deito e espero pacientemente pelo
sono que se recusa a vir.

sábado, 18 de maio de 2013

A casa sobre o prédio (Parte I de II).



Por: Rodolfo Pomini

Eles estavam pesquisando o lugar considerado mais hediondo do mundo. E é obvio que conseguiriam uma lista quase imensa dos locais com prováveis situações de tortura, paranormalidade, ambos os casos unidos para um único fim, ou locais utilizados para abastecer a fome de jogadores compulsivos por morte.

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Monstro (Parte I)



Se havia alguma coisa da qual se orgulhasse em si mesmo era de sua prodigiosa memória. Lembrava-se de fatos, datas, cenas, nomes e rostos como ninguém. Por esse motivo, talvez, fosse advogado; tinha muitas coisas a memorizar.
Porém, havia essa lacuna nas suas lembranças. Essa, que aparecia de vez em quando, sem bilhete nem aviso, instalava-se na sua cabeça e apagava suas memórias daquelas noites, e tudo o que sentia no dia seguinte era um enorme vazio.
E a dor, que sempre lhe acompanhava depois dos apagões.
Já tinha procurado vários médicos, até mesmo especialistas em outros países, mas aparentemente não havia nada de errado com ele. Tomou medicações, vitaminas, mudou a alimentação, mas o fato é que o vácuo continuava ali, vigilante, esperando sua noite, seu momento, como um felino à espreita do alimento.
E tudo o que restava para ele no dia seguinte eram a dor, o sangue e a manchete no jornal da manhã. Mais um. E ele não conseguia se lembrar de mais nada.

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Labirinto - Parte II

Não esqueça de ler antes Labirinto - Parte I


– Me deixe sair! Eu quero sair! – os gritos agudos rasgavam o peito, em conjunto com o choro convulsivo. Bater nas ramas não estava resolvendo.  Elas não se abriam de novo. – Por favor... Eu quero ir pra casa...
Aquele som horrível chegou a seus ouvidos, fazendo seu diminuto corpo tremer. Lembrou-se da ordem do pai e correu o máximo que suas pernas aguentaram, por horas. 
O sol já começava a nascer quando parou, sem forças. Mal podia respirar. Precisava descansar um pouco. Fechou os olhos por alguns segundos... Só alguns segundos...

terça-feira, 14 de maio de 2013

Mudança de hábito.


Os olhos se abrem e, imediatamente, a luz atinge-os, provocando uma dor muito forte. O silêncio incomoda e atordoa. Onde, afinal, ele está?
Pequenos lampejos de lembranças chegam e somem com igual velocidade. Ele recorda de ter saído para comprar mais bebida. Também se lembra do sorriso da filha e do cheiro gostoso do churrasco. Mas o que trouxe até aquela sala cheia de plástico? O que estava acontecendo?

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Lírio

Por: R. Giraldi


 Em cima de um muro, num lugar escuro, foi onde eu a encontrei. Um único poste iluminava o lugar, eu mal conseguia ver seu rosto. Era pequena, braços e pernas miúdas. Estava sentada no alto do muro, balançando os pezinhos. A pouca luz me revelou cabelos castanhos, olhos gentis e um sorriso brincalhão. Olhei-a. Meus olhos miravam seu rosto, estava quase à minha altura, Senti um arrepio na espinha, não era normal uma menina daquele tamanho, sozinha num lugar como aquele.
    Abri a boca, mas palavra nenhuma me veio a mente para falar, eu realmente não consegui pensar em nada.
    "Boa noite" ela me disse fechando os olhos e sorrindo.
    “Quem é você?” tentei perguntar.
    Ela abriu seus olhos, ainda agitando os pés.
     "Alguém", respondeu-me.
     Desci meus olhos por seu corpo pequeno. Ela tinha a pele muito branca e manchas de sangue nas pernas.
    “Quer ajuda?” Perguntei. Ela sorriu mais uma vez.
    "Não. Quero um amigo. Brinca comigo?"
    Emudeci.
    Arrisquei um passo à frente, meus olhos já estavam se acostumando com a baixa luz. Seu rosto ganhou um pouco mais de forma diante de meus olhos; era redondo e branco, sendo os lábios, igualmente, mas o que me chamou atenção foram marcas escuras em suas bochechas, como se fossem hematomas. Não só no rosto. Nos braços e pernas também. Alguém a feriu, definitivamente.

domingo, 12 de maio de 2013

Reformulação do Um Ano de Medo: bastidores das mudanças.

Boa-noite, amigos. Aqui quem vos fala é seu anfitrião, Franz Lima. Este post é destinado a clarear algumas dúvidas sobre os últimas semanas que quase colocaram o blog na rota da autodestruição.
Somos uma equipe coesa e constituída por amigos, porém não podemos evitar problemas pessoais ou planos pessoais que levem um ou  outro autor a desejar sair do grupo. Cada um sabe quais são suas limitações e não cabe a mim ou a qualquer outro integrante julgar. Todos podem falhar...
Mas, após a queda de três escritores (Rainier Morilla, Ednelson Jr. e Edilton Nunes), as coisas estavam se tornando cada vez mais complexas. A saída do Edilton foi, rapidamente, suprida pela já antiga colaboradora do projeto, Tatiana Ruiz. Tatiana é uma das mais prolíferas colaboradoras do blog e é uma grande honra tê-la conosco.
Sequencialmente, Rainier e Ednelson saíram e abriram-se vagas para que novos escritores ingressassem no sinistro universo do Um Ano. E é sobre eles que vou lhes falar.
Agora teremos mais dois novos colaboradores: R. Giraldi e Vinicius Maboni. Contamos com eles para que a constância do projeto se firme e que haja a recuperação do prestígio que vínhamos obtendo. 
Tenham só um pouco de paciência, pois o Um Ano de Medo ainda lhes trará muitas coisas boas... mas sempre com uma alta dose de pesadelos.

P.S.: a saga de Kali será encerrada em breve. Podem contar com isso...

Franz.      

M - E - D - O

sábado, 11 de maio de 2013

Por Entre as Rosas.


Por: Ramon Giraldi



O raio de sol atravessou as frestas da janela, atingindo os olhinhos de garota que dormia. Ela torceu o rosto, fazendo uma careta devido à luz. Em seguida veio um longo bocejo. Tentou abrir os olhos, mas precisou esfregá-los com as mãos, antes de conseguir abri-los totalmente.

    No segundo seguinte, pulou da cama, jogando o edredom para o lado; era como se sua preguiça matinal estivesse acabado em um segundo. Cambaleou até a janela e abriu com pressa. O sol brilhava suave no céu, parece ser um lindo dia, mas ela estava pouco interessada no quão bonito ou feio o clima poderia estar. Seus olhinhos correram pelo chão de grama e pela cerca de madeira branca. A cerca era formada de tabuas brancas enfileiradas. Rente à cerca, uma roseira de rosas vermelhas da sua mãe, e do outro lado, a casa de Jaqueline, sua vizinha.

sexta-feira, 10 de maio de 2013

O Silenciador


Naquela noite o vento assoviava. Estava frio e a ventania parecia um prenúncio de algo maior e mais assustador. Era como se falasse, sussurrando, e as palavras fossem desconexas, sem sentido.
Era difícil dormir naquela madrugada. O barulho das janelas batendo em meio ao vento sussurrante era de gelar os ossos. Histórias de terror poderiam muito bem ser criadas e murmuradas sob a fraca luz das lâmpadas no quartos de crianças insones.
O que elas não poderiam saber é que uma história de terror estava acontecendo naquele mesmo instante.

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Nas Cidades da Noite (II)

Para a Pati, de novo.


O ônibus ainda teria que atravessar uma cidade e meia inteira, mas já estava superlotado. A situação não parecia que mudaria tão logo... Para piorar, embora fosse fim de tarde, a temperatura, lá fora, beirava os 40  ºC. E isso foi bem antes da tragédia.

quarta-feira, 8 de maio de 2013

O Labirinto - Parte I



– O sangue vertido, a inocencia perdida. Não mais serás menina, serás agora mulher. – disse a anciã a olhar as pernas manchadas da garota.

Todos à sua volta festejavam e ela não conseguia ver motivo. Sentia dor em suas entranhas, estava ferida. O sangue provava! Como podiam ser tão cegos? Como podiam ficar felizes em vê-la morrer em rios vermelhos? Mas eles insistiam. Era como se nada mais vissem em suas vidas, e isso a assustava mais do que as historias contadas pelos mais velhos sobre terríveis monstros e fantasmas.

– E agora mamãe, o que será dela? – perguntou a mulher de fartas carnes e ar cansado, de quem vem lutando a vida inteira por seu lugar no mundo.

– Agora só resta a ela um caminho. Pela idade e a época...

– Não! Isso nunca! Não podemos fazer isso, tem de haver outra maneira! – as lágrimas brotavam dos olhos vermelhos.

terça-feira, 7 de maio de 2013

Meu presente amaldiçoado.

Por: Franz Lima.
Hoje completamos 22 anos de brigas. Na verdade, lutamos para tirar a vida um do outro quase que incansavelmente. Entretanto, não foi sempre assim. Houve um período em que éramos irmãos, com pequenas nuances de comportamento, mas gêmeos na essência do significado dessa palavra. 
Isso até o dia em que lhe dei meu presente...

domingo, 5 de maio de 2013

Minha fome de amor


Há dois anos, desde o início da faculdade, Ruan começou a cobiçar o corpo de Luana, sua colega de turma. Foi uma atração animal, obsessiva e desmedida ocultada em sorrisos e palavras singelas, acima de qualquer suspeita.

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Invisível


Helena andava de um lado para o outro. Seu marido, Eduardo, a observava atento, mas não dizia o que estava pensando – que ela logo cavaria um buraco no chão de tanto caminhar. Ela tremia dos pés à cabeça e não conseguia se manter no mesmo lugar. Aquela sensação horrível de medo e impotência era muito maior que ela mesma. Apenas sentar e esperar parecia algo impossível.
Duas horas antes ela estava tranquila, no conforto de sua casa, quando o telefone tocou e ela ouviu a segunda notícia mais aterrorizante que uma mãe pode receber.
- Boa noite, quem fala é a Dona Helena? – perguntou uma voz desconhecida e feminina do outro lado da linha.
- Sim. – ela respondeu confusa. Estava distraída e relaxada. Eduardo tinha chamado uma pizza e os dois assistiam a um filme na televisão. – Por quê?
- A senhora é a mãe do Rafael?
Foi quando um alarme – aquele alarme infalível que toda mãe possui – soou na sua cabeça.

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Volume II


Para meus amigos escritores...
Às vezes bate aquela crise criativa né?
Momento tenso na vida de todos!
Feliz dia do trabalho...

– Preciso escrever, preciso escrever, PRECISO ESCREVER!!! - cada vez mais e mais Carolina repetia isso e a cada palavra a voz crescia, até ser apenas um grito agudo a rasgar as cordas vocais. O desespero da falta de idéias lhe desgastava e feria no mais íntimo.





‘Flores mortas de um jardim abandonado’, o trabalho de estreia de Carolina Benthan, é o mais comentado do momento. Os críticos tem sido bondosos, e isso tem feito muito feliz a autora, que a pouco tempo era desconhecida. Tanto que, segundo fontes de sua editora, já pensa lançar a continuação dessa belíssima história de amor. A obra ainda não tem título divulgado...